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domingo, 27 de outubro de 2013

DIVISÃO DA LÍBIA PÓS GADDAFI

Como previsto, Líbia se divide...

Las tribus y las milicias basaron su decisión, según el rotativo local, en el régimen implantado en 1951 por el entonces rey Idriss, quien dividió el país en tres Estados: Cirenaica (Barqa), Tripolitania (oeste, donde se encuentra la capital, Trípoli) y Fezzan, en el centro-sur.

El nuevo Estado federal ha recibido el nombre de Barqa y estará distribuido en cuatro provincias, entre ellas la de Benghazi, segunda ciudad más importante de Libia y foco de las movilizaciones que en 2011 pusieron fin al largo régimen de Muamar Gadafi.



CIRENAICA, REGIÓN DE LIBIA DONDE SE ENCUENTRA BENGHAZI

Credito: web

25 de Octubre.- Las tribus y las milicias locales de Cirenaica proclamaron 

unilateralmente la autonomía de esta región del este de Libia, le pusieron el 
nombre de Barqa y afirmaron que dispondrá de "plena independencia" en la
 gestión de sus propios recursos naturales, según informa la prensa nacional.

La Libia actual es el fruto de la unión de tres países con un pasado histórico
muy diferente; Cirenaica, Tripolitana y Fezzan. En las dos primeras está 
gran parte de la población de Libia, mientras que Fezzan es una región 
desértica muy poco poblada.

La decisión fue anunciada ayer jueves en rueda de prensa por el presidente 
de la Junta de Comunidades de Cirenaica, Abed Rabbo Hamid Barasi,
quien ha sido nombrado primer ministro del nuevo gobierno autónomo.

Barasi justificó la declaración de autonomía por la necesidad de repartir
los recursos naturales --Libia posee las mayores reservas de petróleo de
África y la gran mayoría de los yacimientos se encuentran precisamente
en Cirenaica  y de acabar con un sistema centralista que "discrimina" a
 las poblaciones  del  este.

Asimismo, el nuevo primer ministro autonómico precisó que su gobierno
contará
con 24 ministros, pero no dispondrá de las carteras de Defensa y Exteriores
 por ser
"materia exclusiva" del Ejecutivo central, y ha asegurado que su prioridad 
será "el restablecimiento de la seguridad en el Estado".

El Gobierno central no se ha pronunciado de momento y el presidente del
Congreso General de la Nación (órgano legislativo libio), máxima autoridad
política de Libia,Nuri Alí Mohamed Abu Sahmain, advirtió ante las cámaras
 de televisión de que la declaración de autonomía es "ilegal", según 'Qurina'.

Las tribus y las milicias basaron su decisión, según el rotativo local, en el
régimen implantado en 1951 por el entonces rey Idriss, quien dividió el país
en tres Estados:
Cirenaica (Barqa),
Tripolitania (oeste, donde se encuentra la capital, Trípoli) y
Fezzan, en el centro-sur.

Desde o derrube do regime de Khaddafi e com o fim da ação militar
estrangeira no país a Líbia tem vivido politicamente à deriva, com um governo
formal em Tripoli formado pelo Conselho Nacional de Transição criado pelos países
da NATO, órgão cada vez mais dividido e com menos poder, sendo este exercido
arbitrariamente por centenas de milícias que criaram os próprios feudos e se recusam
a entregar as armas. Crê-se que existam 120 mil milicianos armados na Líbia
dependendo dos seus próprios chefes, com instalações próprias, prisões privadas e
domínio sobre áreas territoriais por vezes delimitadas por check-points assegurados
pelas milícias.

Mustafa Abdul Jalil, o chefe do CNT e que foi considerado o homem forte apoiado 
pelos Estados Unidos, França e Reino Unido, afirmou face à declaração de
independência que se trata de uma "perigosa conspiração infelizmente encorajada e
 apoiada por vários países árabes", de que não citou os nomes mas crê-se serem 
ditaduras sunitas fundamentalistas da Península Arábica como o Qatar e a 
Arábia Saudita.

 Estes países estiveram diretamente envolvidos no início da revolta armada líbia e
 são igualmente os fornecedores de armas ao Exército Sírio da Liberdade, criado na 
Turquia e presentemente em fuga de Homs para o Líbano. 

Qatar e Arábia Saudita têm sido, através do Conselho de Cooperação do Golfo, 
os intérpretes no terreno dos interesses norte-americanos e de países europeus que
se envolveram no derrube de Khaddafi, comandaram a repressão no Bahrein e dirigem
a intervenção externa na Síria.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

GENOCÍDIO DA OTAN NA LÍBIA

Stella Calloni Libia, otro genocidio de la OTAN 20.10.11 GUERRA CONTRA LÍBIA

Stella Calloni: "Han matado a Gaddafi como sólo matan los cobardes. Esta no es una victoria para EEUU, es una derrota. Han convertido a Gaddafi en un gran héroe. Que le tengan más miedo EEUU a un muerto como Gaddafi, porque mostró dignidad al final de su vida al morir como un héroe. La resistencia libia continuará. Los familiares de todos los niños, mujeres y hombres víctimas del genocidio y la agresión continuarán la lucha".

sábado, 24 de setembro de 2011

LÍBIA - O OUTRO LADO DA NOTÍCIA - O TEATRO DO TERROR

Iniciar a música:

"Enquanto os combates morrem, na Líbia, o CNT amado, cheio de democracia e expondo a tolerância racial, toma a sua posição legítima aplaudido por 90 por cento da população (tosse) e as coisas voltam para o normal enquanto são distribuídos contratos bilionários para as potências ocidentais". (Corte!)


Sim, senhoras e senhores, bem-vindo ao Líbia Roadshow das Nações Unidas!
Hoje nós trazemos para vocês um circo humano, com um espetáculo especial de horrores humanos do século XXI, estrelando Davey "Se eu tiver que pagar algo, pagarei mas primeiro é só me deixar lixar este restaurante" Camono, Nicolas Sarko "eu odeio os ciganos" Psico e Barack "Eu insultei o Prêmio Nobel da Paz, que se fueda a Palestina" Obombardeiro.11

No programa de hoje vocês podem ouvir Davey Camono falando sobre a imposição de liberdade e democracia a partir de 30.000 pés, enquanto as bombas da OTAN destroem com tanta precisão casas e lares, espalhando a paz e a segurança, a liberdade e democracia com a Bíblia e a Bala, explodindo nas caras e rebentando os membros das crianças líbias. Que bacano, n'é? Isso, seguido por Nicolas hoin hoin hoin "será que os peixes do Mediterrâneo realmente gostam de franceses?" Sarko o Psico, nos dizendo como ele fanou o petróleo e gás do italiano Silvio "Eu não chamei à Ângela uma infodivel monte de banha" Berlusconi.

E pouco antes de a cortina cair (Começam aí o Stars and Stripes), mão-no-coração... Barack "Peço perdão, eu nunca prometi mudanças" Obombardeiro, que fará um discurso de cortar o coração sobre como os EUA e a ONU conseguiram destruir o sonho africano e arrancar os instrumentos da riqueza das suas mãozinhas porcas, os selvagens!

Este número será seguido pelo previsível e até agora tédio show de comédia, em que os interesses são negociados nos bastidores, as linhas são desenhadas em mapas e descobrimos quem recebe o quê.

Pois é, é um show. Quanto à realidade no terreno, agora para algo completamente diferente.

A grande maioria da Líbia está nas mãos das Forças Armadas da Líbia (FAL) comandadas pelo coronel Muammar al-Qathafi. Estas forças não entraram em colapso, eles se mantiveram intactas, por uma razão muito simples: a grande maioria da população da Líbia apoia o seu Governo Jamahiriya e é por isso que a OTAN se recusa a permitir que uma eleição livre e justa e democrática seja realizada.

Quanto à OTAN, está quebrando suas regras de engajamento e as Resoluções do CSNU cobrindo esse conflito; há relatos (Fritenk.wordpress.com) que numerosos franceses e britânicos das forças especiais foram pegados em Bani Walid. Mas as Resoluções não foram nítidas: Sem tropas no terreno? Não admira que o Ministério da Defesa britânico se recusou a comentar e me passou para o Foreign and Commonwealth Office e não admira que o FCO me encaminhou para o Ministério da Defesa.

As forças da OTAN/Terroristas já tentaram e não conseguiram tomar a cidade de Bani Walid há várias semanas; as escaramuças de ontem resultaram na eliminação de 45 ratazanas (elementos terroristas) e 25 veículos, após o que a coluna dessa sujeira que estupra mulheres, mata crianças e corta as gargantas de negros nas ruas recuou para Tarhouna, recentemente liberada outra vez pelas FAL e patriotas lutando pela Jamahiriya, que repeliram este flagelo.

Em al-Brega, outro helicóptero da OTAN, utilizado com efeito mortífero contra os civis em outros teatros deste conflito, foi abatido, enquanto a OTAN continua a efectuar ataques aéreos terroristas contra os civis de Bani Walid, Sirt e agora Waddam, no Oásis de Djofra.

A Brigada 32 do General Khamis al-Qathafi tem criado uma unidade especial que irá destruir elementos terroristas em todas as partes do país, esta unidade tendo autonomia completa em operações.

Enquanto isso, como previsto nesta coluna no início do conflito, a sua internacionalização já começou: a tribo Tuareg da Líbia, Mali, Níger e Argélia convocou uma Assembléia Geral, em que se declarou que as Ratazanas (OTAN/terroristas) são inimigos. Os tuaregues do Níger alertaram o Governo com uma guerra civil se submeter às Ratazanas.

No domingo 18 de setembro, uma bandeira verde (símbolo das forças patrióticas pro-Gaddafi) foi içada na Universidade de Tripoli (Por quê na sua visita Cameron e Sarkozy nem sairam do aeroporto? Porque é que o Conselho Nacional dos Terroristas está ainda escondido em Benghazi, onde esse golpe separatista começou?) e na segunda-feira, as forças LAF entraram outra vez na cidade de Misurata.

Ras Lanuf foi libertado da tirania do flagelo OTAN/terroristas na sexta-feira e novas frentes estão sendo abertas pelos patriotas e as FAL.

Existem dois lados da moeda.

NATO cometeu um erro monumental em apoiar terroristas e racistas para seus próprios fins gananciosos, para meter suas mãos sobre os recursos da Líbia e para recolonizar a África, destruindo os projetos de Muammar al-Qathafi, que custavam aos sistemas financeiros ocidentais bilhões de dólares.

Porém, se o Ocidente só pode sobreviver desviando os recursos dos outros, então estas nações são sanguessugas e parasitas e não merecem qualquer respeito.



Timothy Bancroft-Hinchey

Pravda.Ru

LÍBIA - TODA A VERDADE - Pravda.Ru

Líbia: Toda a verdade - Pravda.Ru
Portugal Pravda.ru / Notícias

Líbia: Toda a verdadeLíbia: Toda a verdade - Uma semana depois do Dia de Fúria, quando nesta coluna perguntei quem ou o quê estava por trás da "revolta" contra o Coronel Muammar Gathafi, as primeiras respostas começam a aparecer ... e interessantes elas são.
http://port.pravda.ru/russa/26-02-2011/31317-libia_russia-0/

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A RESISTÊNCIA DA LÍBIA CONTRA OS INVASORES CONTINUA

Saif Kadafi: “a resistência continua em Sirte, Trípoli e em toda a Líbia”


Saif Al-Islam, filho do líder Muamar Kadafi, conclamou ao povo líbio para que defenda o país dos agressores da Otan e de seus mercenários, “atacando os terroristas onde quer que se encontrem”. A convocação foi feita via mensagem telefônica quarta-feira à noite pela rede de TV Al-Ray, com sede na Síria. Em sua mensagem, Saif fez um alerta a respeito de um possível ataque contra Sirte. Disse que há 20 mil pessoas armadas na cidade e dispostas a defendê-la. “Quero deixar claro que nossos irmãos líbios estão por toda a parte. Em breve, vamos até a Praça Verde para saudá-los, se Deus quiser”, acrescentou.

Conforme Saif, é preciso agir com serenidade, pois a resistência está se consolidando, multiplicando as baixas do inimigo. “Podemos dizer que as divisões destes rebeldes estão sendo destruídas e separadas. Sabemos que há mercenários de todos os países e estes nunca demonstrarão lealdade. O inimigo sofreu muitas feridas e tem perdido muito. Se você se encontra com qualquer destes ratos deve atacá-los”, frisou.

O filho de Kadafi encerrou a comunicação elogiando a determinação das tribos que não têm se curvado à extorsão, chantagens e ameaças de estupro de suas mulheres e feito o que devem: “defender o seu país”.
Ele conclamou o povo líbio a tomar as ruas sem temor com esta mesma determinação, pois está em curso uma “guerra contra a traição, onde todas as comunidades devem defender o país com suas armas, resistir e vir à Praça Verde para celebrar a vitória da pátria”.

Levaremos a resistência até a vitória, acrescentou, pois “eles terão de ir embora”.

Fonte: Jornal Hora do Povo

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

AL QAEDA e OTAN JUNTAS EM TRIPOLI NA LÍBIA

Como a al-Qaeda chegou ao poder em Trípoli

Por: Pepe Escobar, Asia Times Online

30/8/2011



O nome do homem é Abdelhakim Belhaj. Alguns o conhecem no Oriente Médio, mas poucos no Ocidente algum dia ouviram seu nome.


Vamos por partes. Porque a história de como um comandante da al-Qaeda acabou por converter-se no principal comandante militar líbio na cidade de Trípoli ainda em guerra, põe por terra – mais uma vez – a selva de espelhos que se conhece como “guerra ao terror”, além de abalar profundamente toda a propaganda de uma “intervenção humanitária” tão cuidadosamente inventada para encobrir a intervenção militar, pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), na Líbia.

A fortaleza de Bab-al-Aziziyah, onde vivia Muammar Gaddafi foi invadida e conquistada, semana passada, quase exclusivamente por homens de Belhaj – que constituíam a linha de frente de uma milícia de berberes das montanhas do sudoeste de Trípoli. Essa milícia é a chamada hoje “Brigada de Trípoli”, que recebeu treinamento secreto, durante dois meses, de Forças Especiais dos EUA. Ao longo de seis meses de guerra civil/tribal, essa seria a milícia mais efetiva dos ‘rebeldes’.

Na 3ª-feira passada, Belhaj vangloriava-se de como havia vencido, com as forças de Gaddafi escapando “como ratos” (a mesma metáfora que Gaddafi usou, referindo-se aos ‘rebeldes’).

Abdelhakim Belhaj, também conhecido como Abu Abdallah al-Sadek, é jihadista líbio. Nascido em maio de 1966, aperfeiçoou seus saberes com os mujahideen da Jihad antissoviética dos anos 1980s no Afeganistão.

É fundador do Grupo de Combate Islâmico Líbio [ing. Libyan Islamic Fighting Group (LIFG)] do qual é o principal comandante – com Khaled Chrif e Sami Saadi como assessores e representantes. Depois que os Talibã assumiram o poder em Kabul em 1996, o LIFG criaram dois campos de treinamento no Afeganistão; um deles, 30 km ao norte de Kabul – comandado por Abu Yahya – exclusivo para jihadistas ligados à al-Qaeda.

Depois do 11/9, Belhaj mudou-se para o Paquistão e para o Iraque, onde esteve em contato com ninguém menos que o ultra linha-dura Abu Musab al-Zarqawi – tudo isso antes que a al-Qaeda no Iraque se declarasse a serviço de Osama bin Laden e Ayman al-Zawahiri e super ultra turbinasse suas práticas nefandas.

No Iraque, os líbios formavam o maior contingente de jihadistas sunitas estrangeiros, perdendo só para os sauditas. Além disso, os jihadistas líbios sempre foram superstars no mais alto escalão da Al-Qaeda “histórica” – de Abu Faraj al-Libi (comandante militar até ser preso em 2005, e hoje um dos 16 detentos “de mais alto valor” no centro de detenção dos EUA em Guantánamo), a Abu al-Laith al-Libi (outro alto comandante militar, morto no Paquistão no início de 2008).

Uma “entrega (muito) especial”[1]

O Grupo de Combate Islâmico Líbio [ing. Libyan Islamic Fighting Group (LIFG)] está nos radares da Agência Central de Inteligência (CIA) dos EUA desde o 11/9. Em 2003, Belhaj foi afinal preso na Malásia – e transferido pela via das “entregas especiais”, para uma prisão secreta em Bangkok onde foi devidamente torturado.

Em 2004, os norte-americanos decidiram mandá-lo, como presente, para a inteligência da Líbiaaté que foi libertado pelo governo Gaddafi, em março de 2010, com outros 211 “terroristas”, em golpe de propaganda divulgado com muito alarde.

O orquestrador de tudo isso foi ninguém menos que Saif Islam al-Gaddafi – a face modernizadora à moda da London School of Economics do regime. Os comandantes do Grupo de Combate Islâmico Líbio [ing. Libyan Islamic Fighting Group (LIFG)]Belhaj e seus dois assessores Chrif e Saadi – divulgaram uma confissão de 417 páginas, chamada “Estudos Corretivos”, na qual declararam o fim da Jihad contra Gaddafi (também a declararam ilegal). Em seguida, foram postos em liberdade.

Relato fascinante de todo esse processo pode ser encontrado num relatório intitulado “Combatendo o Terrorismo na Líbia com Diálogo e Reintegração” [orig. Combating Terrorism in Libya through Dialogue and Reintegration (1)]. Observe-se que os autores “especialistas” em terrorismo sediados em Cingapura, e que o regime cevava com vinhos e jantares, manifestam “o mais profundo agradecimento a Saif al-Islam Gaddafi e à fundação Gaddafi International Charity and Development, que tornaram possível essa visita”.

Interessa observar que isso durou até 2007, quando o número 2 da al-Qaeda, Zawahiri, anunciou oficialmente a fusão do Grupo de Combate Islâmico Líbio [ing. Libyan Islamic Fighting Group (LIFG)] com a al-Qaeda no Mahgreb Islâmico [ing. Al-Qaeda in the Islamic Mahgreb (AQIM)]. Desde então, para todas as finalidades práticas, LIFG/AQIM passaram a ser um e o mesmo grupo, do qual Belhaj era/é o principal comandante e emir.

Em 2007, o Grupo de Combate Islâmico Líbio [ing. Libyan Islamic Fighting Group (LIFG)] estava convocando uma Jihad contra Gaddafi, mas também contra os EUA e sortido grupo de “infiéis” ocidentais.

Rode a fita adiante, até fevereiro passado. É quando, afinal livre da prisão, Belhaj resolveu voltar ao modo Jihad e alinhar seus soldados com o ‘levante’ de ‘rebeldes’ que começava a ser plantado na Cirenaica.

Todas as agências de inteligência nos EUA, Europa e em todo o mundo árabe sabem de onde brotou Belhaj. Mesmo que não soubessem, o próprio Belhaj já disse na Líbia que o único interesse, seu e de suas milícias, é implantar a lei da sharia.

Não há, nem parecido, nisso tudo, qualquer processo “pró-democracia” – nem que se tente a mais complexa ginástica imaginativa. Mas, ao mesmo tempo, força de tal importância não seria apeado da guerra da OTAN só porque não gosta muito de “infiéis”.

O assassinato no final de julho, do comandante dos ‘rebeldes’ general Abdel Fattah Younis foi morto pelos próprios ‘rebeldes’ – parece apontar diretamente para Belhaj ou, no mínimo, para gente próxima dele.

É importante saber que Younis – antes de desertar do governo Gaddafi – foi responsável, no governo Líbio, pelo combate feroz que as forças especiais líbias moveram contra o Grupo de Combate Islâmico Líbio [ing. Libyan Islamic Fighting Group (LIFG) na Cirenaica, de 1990 a 1995.

O Conselho Nacional de Transição, segundo um de seus membros, Ali Tarhouni, teria deixado ‘vazar’ que Younis foi morto por uma nebulosa brigada, de nome Obaida ibn Jarrah (um dos companheiros do Profeta Maomé). Agora, a tal brigada parece ter-se dissolvido no ar.

Cale o bico, ou arranco sua cabeça

Não pode ser acaso, que todos os principais comandantes militares ‘rebeldes’ sejam membros do Grupo de Combate Islâmico Líbio [ing. Libyan Islamic Fighting Group (LIFG), de Belhaj em Trípoli, a um Ismael as-Salabi em Benghazi e certo Abdelhakim al-Assadi em Derna, para nem mencionar figura importantíssima, Ali Salabi, com assento no núcleo do Conselho Nacional de Transição. Saladi foi quem negociou com Saif al-Islam Gaddafi o “fim” da Jihad do Grupo de Combate Islâmico Líbio contra o regime Gaddafi, com o que garantiu para si futuro brilhantíssimo entre esses ressuscitados “combatentes da liberdade”.

Ninguém precisará de bola de cristal para antever consequências. O grupo unificado LIFG/AQIM – já tendo alcançado poder militar e assentado entre os “vencedores” – nem remotamente desistirá do poder, só para satisfazer os anseios da OTAN.

Simultaneamente, entre a névoa da guerra, ainda não se sabe se Gaddafi planeja atrair a Brigada de Trípoli para um cenário de guerrilha urbana; ou se arrastará atrás de si as milícias ‘rebeldes’, atraindo-as para o coração dos territórios da tribo Warfallah.

A esposa de Gaddafi é da tribo Warfallah, a maior da Líbia, com mais de 1 milhão de almas e 54 subtribos. Diz-se pelos corredores em Bruxelas, que a OTAN prevê que Gaddafi lutará durante meses, se não anos; daí o prêmio (“Procurado vivo ou morto”) à moda texana de George W Bush, pela cabeça de Gaddafi; e a volta desesperada da OTAN ao plano A (o golpe militar para derrubar Gaddafi).

É possível que a Líbia enfrente hoje o duplo espectro de uma Hidra guerrilheira de duas cabeças: forças de Gaddafi contra um governo central fraco do Conselho Nacional de Transição e tropas da OTAN em terra na Líbia; e a nuvem de Jihadistas do conglomerado LIFG/AQIM em Jihad contra a OTAN (se forem afastados do poder).

É possível que Gaddafi não passe de relíquia ditatorial do passado. Mas ninguém monopoliza o poder por 40 anos por nada e sem que seus serviços de inteligência nada descubram de aproveitável.

Desde o primeiro dia, Gaddafi disse e repetiu que o ataque contra a Líbia era operação da al-Qaeda e/ou operação local com financiamento estrangeiro. Esteve certo, portanto, desde o primeiro dia – embora tenha esquecido de dizer que, sobretudo, sempre foi guerra inventada pelo neonapoleônico presidente Nicolas Sarkozy, da França (mas essa já é outra história).

Gaddafi também disse que seria o prelúdio da ocupação estrangeira, cuja meta é privatizar e roubar os recursos naturais da Líbia. Parece que acertou – também nisso.

Os “especialistas” de Cingapura que elogiaram a decisão do regime de Gaddafi de libertar os Jihadistas do Grupo de Combate Islâmico Líbio disseram que seria “estratégia necessária para mitigar a ameaça que pesa contra a Líbia”. Hoje, o que se vê é que o conjunto LIFG/AQIM – quer dizer, a al-Qaeda – conseguiu posicionar-se para exercer suas opções como “força política (líbia) local”.

Dez anos depois do 11/9, não é difícil imaginar que, no fundo do Mar da Arábia, há um crânio decomposto que, esse sim, está rindo por último. E lá ficará. Rindo.

Nota

1. Documento na íntegra, em PVTR.org (em inglês).

[1] Orig. extraordinary rendition. Em inglês, essa expressão designa o processo ilegal, mas usado frequentemente durante o governo Bush, nos primeiros movimentos da “guerra ao terror” pelo qual prisioneiros presos num país são entregues a outro, para serem interrogados [NTs, com informações de Wikipedia].

Capitalismo de desastre: abutres sobre a Líbia


Pepe Escobar, Asia Times Online

25/8/2011

Pensem na nova Líbia como último espetacular capítulo da série “Capitalismo de Desastre”. Em vez de armas de destruição em massa, tivemos a R2P (“responsabilidade de proteger”). Em vez de neoconservadores, imperialistas humanitários.

Mas o alvo é sempre o mesmo: mudança de regime. E o projeto é o mesmo: desmantelar e privatizar uma nação que não se integrou ao turbo-capitalismo; abrir mais uma (lucrativa) terra de oportunidades para o neoliberalismo super turbinado. E a coisa vem em boa hora, porque acontece em momento já próximo de plena recessão global.

Demorará um pouco. O petróleo líbio não voltará ao mercado antes de 18 meses. Mas há o negócio da reconstrução de tudo que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) bombardeou (sim, sim, nem tudo que o Pentágono bombardeou em 2003 foi reconstruído no Iraque…)

Seja como for – do petróleo à reconstrução – brotam oportunidades para negócios sumarentos. O neonapoleônico Nicolas Sarkozy da França e o britânico David das Arábias Cameron acreditam que estarão especialmente bem posicionados para lucrar com a vitória da OTAN. Mas nada garante que a nova bonança baste para arrancar da recessão as duas ex-potências coloniais (neocoloniais?).

O presidente Sarkozy em particular mamará nas oportunidades comerciais para empresas francesas o mais que possa – parte de sua ambiciosa agenda de “reposicionamento estratégico” da França no mundo árabe. Uma imprensa francesa complacente decidiu armar os ‘rebeldes’ com armamento francês, em íntima cooperação com o Qatar, incluindo uma unidade de comandos ‘rebeldes’ mandada por mar de Misrata para Trípoli sábado passado, no início da “Operação Sirene”.[1]

Bem, já se viram movimentos de abertura desses desenvolvimentos, desde quando o chefe de protocolo de Muammar Gaddafi fugiu para Paris, em outubro de 2010. Foi quando todo esse drama de mudança de regime começou a ser incubado.

Bombas em troca de petróleo

Como já observado (ver “Bem-vindos à ‘democracia’ líbia”), os abutres já voejam sobre Trípoli para devorar (e monopolizar) os despojos. E, sim – grande parte da ação tem a ver com negócios de petróleo, como disse Abdeljalil Mayouf, gerente de informações da Arabian Gulf Oil Company ‘rebelde’, em declaração nua e crua: “Não temos problemas com países ocidentais como empresas italianas, francesas e britânicas. Mas podemos ter algumas questões políticas com Rússia, China e Brasil.”

Esses três são membros crucialmente importantes do grupo BRICS das economias emergentes (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), países que estão crescendo, enquanto as economias atlanticistas e OTAN-bombardeantes estão afundadas em estagnação ou recessão. Os quatro principais BRICSs também se abstiveram na votação que aprovou a Resolução n. 1.973 do Conselho de Segurança da ONU, a mascarada daquela ‘zona aérea de exclusão’ que depois se metamorfoseou em bombardeio cerrado, pela OTAN, para forçar, de cima para baixo, uma ‘mudança de regime’. Esses países viram corretamente o que havia para ver, desde o início.

Para piorar (para eles) ainda mais as coisas, só três dias antes de o Africom (Comando Africano) do Pentágono lançar seus primeiros 150 (ou mais) Tomahawks contra a Líbia, o coronel Gaddafi deu entrevista à televisão alemã, na qual destacou que, se o país fosse atacado, todos os contratos de energia seriam transferidos para empresas russas, indiana e chinesas.

Assim sendo, os vencedores da bonança do petróleo já estão designados: membros da OTAM mais monarquias árabes. Dentre as empresas envolvidas, a British Petroleum (BP), a francesa Total e a empresa nacional de petróleo do Qatar. Do ponto de vista do Qatar – que investiu jatos de combate e soldados na linha de frente, treinou ‘rebeldes’ em táticas de combate exaustivo e já está negociando vendas de petróleo no leste da Líbia – a guerra se comprovará muito esperta decisão de investimento.

Antes da crise que já dura meses e está agora nos movimentos finais, com os ‘rebeldes’ já na capital, Trípoli, a Líbia estava produzindo 1,6 milhões de barris/dia de petróleo. Quando recomeçar a produzir, os novos senhores de Trípoli colherão alguma coisa como US$50 bilhões/ano. Estima-se que as reservas líbias cheguem a 46,4 bilhões de barris.

Melhor farão os ‘rebeldes’ da nova Líbia se não se meterem com a China. Há cinco meses, a política oficial chinesa já era exigir um cessar-fogo; tivesse acontecido, Gaddafi ainda controlaria mais da metade da Líbia. Pequim – que jamais foi fã de ‘mudança de regime’ violenta – está exercitando, por hora, a arte da moderação extrema.

Zhongliang, chefe do Ministério do Comércio, observou, otimista, que “a Líbia continuará a proteger os interesses e direitos dos investidores chineses, e esperamos manter os investimentos e a cooperação econômica”. Abundam as declarações oficiais que enfatizam a “mútua cooperação econômica”.

Semana passada, Abdel Hafiz Ghoga, vice-presidente do sinistro Conselho Nacional de Transição, disse à rede de notícia Xinhua que serão respeitados todos os negócios e contratos firmados com o regime de Gaddafi. – Mas Pequim não quer saber de correr riscos.

A Líbia forneceu apenas 3% do petróleo que a China consumiu em 2010. Angola é fornecedor muito mais crucial. Mas a China ainda é o principal consumidor de petróleo líbio na Ásia. Além disso, a China pode ser muito útil no front da reconstrução da infraestrutura, ou na exportação de tecnologia – nada menos que 75 empresas chinesas, com 36 mil empregados já trabalhavam na Líbia antes do início da guerra civil/tribal (e foram evacuados, com eficiência e sem alarde, em menos de três dias).

Os russos – da Gazprom à Tafnet – tinham bilhões de dólares investidos em projetos na Líbia; as brasileiras Petrobras, gigante do petróleo e a empresa construtora Odebrecht também tinham interesses lá. Ainda não se sabe exatamente o que acontecerá com eles. O diretor geral do Conselho de Comércio Rússia-Líbia, Aram Shegunts, está extremamente preocupado: “Nossas empresas perderão tudo, porque a OTAN impedirá que façam negócios na Líbia.”

A Itália logo entendeu que lá teria de ficar, “com ‘rebeldes’ ou sem”. A gigante italiana ENI, parece, não será afetada, dado que o primeiro-ministro Silvio “Bunga Bunga” Berlusconi pragmaticamente abandonou seu ex-íntimo amigo Gaddafi, logo no início do bombardeio EUA-Africacom/OTAN.

Os diretores da ENI italiana estão confiantes de que o petróleo líbio recomeçará a fluir para o sul da Itália ainda antes do inverno. E o embaixador da Líbia na Itália, Hafed Gaddur, disse a Roma que os contratos da era Gaddafi serão honrados. Por via das dúvidas, Berlusconi se reunirá com o primeiro-ministro do Conselho Nacional de Transição, Mahmoud Jibril, na próxima quinta-feira, em Milão.

Bin Laden os salvará[2]

O ministro das Relações Exteriores da Turquia Ahmet Davutoglu – da famosa política de “zero problemas com nossos vizinhos” – também já andou elogiando os ex-‘rebeldes’ convertidos em poder de fato. Também de olhos postos na bonança de negócios da era pós-Gaddafi, Ankara – que é o flanco oriental da OTAN – terminou por ajudar a impor um bloqueio naval contra o regime de Gaddafi, cultivou atentamente o Conselho Nacional de Transição e, em julho, reconheceu-o formalmente como governo da Líbia. Business “recompensa” os ardilosos.

Chegamos afinal ao coração desse script: o que a Casa de Saud lucrará por ter sido instrumento para implantar um regime amigável na Líbia, possivelmente salpicado de salafitas notáveis; uma das razões chaves para o massacre imposto pelos sauditas – que incluiu um voto inventado na Liga Árabe – foi o ódio furioso que separou Gaddafi e o rei Abdullah, desde as primeiras escaramuças que levaram à guerra contra o Iraque em 2002.

Nunca será demasiado destacar a hipocrisia cósmica de uma monarquia/teocracia medieval absoluta ultra reacionária – que invadiu o Bahrain e reprimiu com brutalidade os xiitas locais – apoiar o que se apresenta como movimento pró-democracia no Norte da África.

Seja como for, é hora de celebrarem. Em breve, lá estará o grupo saudita Bin Laden Construtora, para reconstruir, feito doido, em toda a Líbia – é possível que transformem Bab al-Aziziyah (que foi saqueado) em hotel-shopping center de luxo monstro da Tripolitânia.



NOTAS

[1] Orig. “Operation Siren”. A operação foi lançada no sábado à noite, à “hora do Iftar”, que marca o fim do jejum religioso do Ramadan. As “sirenes”, que eram usadas pela Al-Qaeda para convocar manifestações contra o governo de Gaddafi, foram usadas dessa vez como sinal para os pequenos grupos de ‘rebeldes’ de Benghazi (para outros, seriam pequenos grupos de militantes da Al-Qaeda) que já estavam em Trípoli. Esses pequenos grupos iniciaram algumas escaramuças em terra, coordenadas com intenso bombardeio aéreo pelas forças da OTAN (cf. Thierry Meyssan, TARPLEY.net, 21/8/2011). Jornais norte-americanos falam de uma “Operation Mermaid Dawn” [operação Aurora da Sereia] contra a Líbia, acrescentando que “mermaid” [sereia] seria nome em código para “Líbia” (cf. Huffington Post, 22/8/2011). Em português (não em inglês), há algum deslizamento de significados entre “sereia”, o ser mítico, e “sirene”/”sirena”, o dispositivo que há em carros de bombeiros e ambulâncias, que emite som e, também os aparelhos que emitem alarme de incêndio em prédios. Sem algum comentário, perder-se-ia essa ambigüidade, na tradução [NTs].

[2] Orig. Bin Laden to the rescue, ‘politicamente’ muito difícil de traduzir. A solução que propomos é uma, dentre outras possíveis e pode ser melhorada. Correções e sugestões são bem-vindas. Consideramos também “Só bin Laden salva”, descartada por votos, quer dizer, menos por argumentos, que pela maioria. Traduzir é empreitada cheia de riscos inevitáveis [NTs].

http://mariafro.com.br/wordpress/2011/08/24/pepe-escobar-capitalismo-de-desastre-abutres-sobre-a-libia/comment-page-1/#comment-43056