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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

CASO AMIA ARGENTINA - A VERDADE SOBRE A MORTE DO PROMOTOR NISMAN

Caso AMIA Argentina: a verdade sobre a morte do promotor Nisman

Tradução: Caminho Alternativo
Buenos Aires, 24 de janeiro de 2015
Claramente, a “guerra global contra o terrorismo” liderada pelas potências ocidentais começou em 2015 com grande ímpeto!
Episódios de alto perfil carregados de circunstâncias “inexplicadas e inexplicáveis” começaram em 7 de janeiro com o Evento Charlie Hebdo em Paris. 11 dias depois, um promotor argentino, Alberto Nisman, responsável há uma década da investigação do ataque terrorista de julho de 1994 contra a sede da mutual judia AMIA em Buenos Aires, foi suicidado/assassinado justo quando estava a ponto de fazer pública sua altamente mediática acusação contra a presidente Cristina Kirchner e seu chanceler Héctor Timerman, por suposto encobrimento à favor do Irã.

Espião versus espião versus espião…


O edifício da AMIA (Associação Mutual Israelita Argentina) também abrigava – então e agora – a sede da DAIA (Delegação de Associações Israelitas Argentinas), o poderoso lobby judeu local que opera à favor do Estado de Israel na República Argentina.
Após 21 anos, a investigação judicial deste atentado se converteu num dos episódios mais corruptos da história do país, com a intrusão obscena do Mossad israelense, a CIA e o FBI dos Estados Unidos, que incluiu: plantar falsa evidência de um suposto carro-bomba, a censura de outras pistas muito mais verossímeis, e o pagamento de subornos a testemunhas falsas para que incriminassem o Hezbollah, seja através de uma suposta pista síria (numa primeira instância), ou iraniana (desde 2006 até hoje).
Os poderosos meios de imprensa – tanto argentinos como internacionais – mantiveram sequestrada a opinião pública através da confusão engenheirizada, as mentiras flagrantes e o abuso da sensibilidade da população sobre este atentado terrorista que custou a vida a 85 civís. Os verdadeiros operadores por trás do telão, porém, estiveram sempre convenientemente protegidos.
Um desses operadores poderosos é um agente de inteligência do SI (Serviço de Inteligência) argentino de nome Jaime Stiusso, quem há uma década promoveu sistemáticamente a versão estadunidense-israelense sobre o atentado, que fez com que a Argentina acusasse falsamente ao Irã de ser culpado por este espantoso crime. Contando com o apoio e a proteção irrestrita da CIA, do Mossad e do MI6 britânico, Stiusso se transformou no mentor do fiscal Nisman, enquanto este acusava sistemática e aireadamente ao Irã desde que ficou como responsável pela investigação em 2004.
O mito da “culpabilidade iraniana” cobrou grande força sob a administração do presidente George W. Bush, como parte de sua estratégia de ataque generalizado contra as nações muçulmanas do Oriente Médio logo após os ataques de 11 de setembro de 2001 e, muito especialmente, após a invasão e bombardeio israelense contra o sul do Líbano em 2006. Então, Hezbollah, treinado e armado pelo Irã, lhe deu uma amarga derrota a Israel deixando a uma de suas divisões de tanques fora de combate.

A pista iraniana?


Pouco mais de dois meses depois da incursão israelense no Líbano, em 22 de setembro de 2006 foi realizada uma reunião privada no luxuoso hotel de Nova York Waldorf-Astoria onde participaram: o presidente argentino Néstor Kirchner, sua primeira dama a então senadora nacional (e em breve a se converter em presidente) Cristina Kirchner, e o chanceler Jorge Taiana, junto aos representantes das mais poderosas organizações judaicas sionistas, incluindo o Comitê Judeu Norteamericano, o Congresso Mundial Judeu, a loja B’Nai B’Rith e seu braço militante a Liga Anti-Difamação (ADL).
Durante esta reunião, chegaram a um acordo mediante o qual a Argentina acusaria o Irã pelo atentado à AMIA, para cujo fim o presidente Kirchner imediatamente despachou o fiscal Alberto Nisman aos EUA para “reunir as necessárias provas da culpabilidade do Irã…” “Evidência” aportada pelas agências de inteligência CIA e Mossad que claramente desejavam levar água a seu moinho!
Como mostra da satisfação dos EUA e Israel com o governo argentino, o diretor político do Congresso Mundial Judeu, rabino Israel Singer, expressou públicamente a satisfação daquelas organizações com a acusação radicada pela Argentina contra o Irã, já que aquilo provava que o acordado no Waldorf-Astoria estava sendo executado pelo governo Kirchner.
Imediatamente, o Sr. Nisman acusou o ex-presidente iraniano Ali Rafsanjani e a seus ministros chave de terem sido os mentores por trás do ataque à AMIA – uma acusação que conformava práticamente uma declaração de guerra! Porém, Nisman jamais conseguiu reunir provas contundentes e sérias a respeito.
Logo, Nisman chegou a pedir à Interpol que prendesse o ex-embaixador iraniano na Argentina, Hadi Soleimanpour em Londres, ação que a Interpol realizou entregando-o às autoridades britânicas para sua extradição à Argentina. Mas isto se frustrou rápidamente quando os britênicos tiveram qie liberá-lo devido a que Nisman não pôde apresentar provas cabais en seu contra. Os ingleses, inclusive, fizeram que a Argentina pagasse 200.000 libras de custas legais que este lamentável episódio gerou.
Apesar disto, ao longo da última década, Alberto Nisman se transformou no menino mimado das entidades judaicas e sionistas dos EUA, Israel e Europa, nações que visitou regularmente para informá-los sobre o estado de suas gestões no caso AMIA/DAIA. Em 2007, Nisman inclusive informou sobre o caso à Corte Suprema… não da Argentina, senão a de Israel!
Assim, Nisman foi cobrando grande notoriedade e presença nos meios de imprensa mundiais, mas seguia tendo um problema: não conseguia reunir a evidência suficiente e necessária para sua acusação contra o Irã. Isto gerou crescente preocupação, especialmente entre os neo-conservadores republicanos como a congressista-lobista Ileana Ros-Lethinen, e os sucessivos governos ultra-direitistas em Israel.
O caso AMIA/DAIA se afundou na maior confusão em janeiro de 2014 quando o ex-embaixador israelense na Argentina durante aquele ataque – Yitzhak Aviram – disse públicamente que “as pessoas que explodiram a AMIA foram enviadas ao outro mundo por nós (ou seja, Israel)”. Imediatamente, o governo israelense o fez calar a boca, pois isso enterrava todas as atuações de “búsca pela verdade”.
Em sintonia com o governo Kirchner Nisman continuou culpando o Irã, mas ao chega Barack Obama ao poder em 2009, EUA começou a rever sua postura em relação ao Irã, adotando uma menos agressiva que a da administração Bush.
Naquela então, a situação no Iraque piorava e a resistência da Rússia e outros países a belicosidade dos EUA/Reino Unido/OTAN no Oriente Médio ia crescendo. Foi assim que EUA optou por uma política muito mais moderada ao Irã e, através de “canais extraoficiais e discretos” parecia que fizesse chegar uma mensagem à presidente Kirchner sugirindo-lhe que possivelmente havia chegado a hora de sentar-se a conversar com os iranianos.
Assim, em janeiro de 2013, a Argentina anunciou que “começaria a conversar” com o Irã – algo que não fazia há sete anos – e rápidamente ambos países assinaram um “Memorando de Entendimento” que se transformou em lei na Argentina em março de 2013.
Como parte disto, se criaria uma “Comissão para a Verdade” (mas não era que Nisman e seus controladores no Mossad e da CIA já sabiam a “verdade”, estando em posse de “toda a evidência que culpava o Irã pelo ataque?”).
Os neo-conservadores nos EUA, os sionistas em Israel e o mundo ficaram furiosos com a presidente Kirchner! Para piorar, em dezembro de 2014 a presidente argentina expulsou a toda a cúpula superior da Agência de Inteligência SI, específicamente a Jaime Stiusso, o operador-agente dos EUA, Israel e Reino Unido.
Se supunha que Nisman se tomaria todo o mês de janeiro de 2015 de férias recorrendo a Europa com sua filha de 15 anos. Porém, repentinamente enquanto se encontrava em Amsterdam, “alguém” parece que lhe ordenou que voltasse imediatamente à Argentina. O fez tão apressadamente que teve que pedir a sua esposa que buscasse a sua filha menor no aeroporto de Madrid onde ele a deixou para seguir viagem imediata a Buenos Aires.
Em sua chagada na Argentina, Nisman produziu como por arte de mágica um nutrido dossiê de 350 páginas em que acusava a presidente Kirchner e a seu chanceler (judeu, por sinal!) Héctor Timerman de “encobrimento” à favor do Irã. Nisman estava a ponto de fazer pública sua denúncia numa sessão de emergência do Congresso Argentino ás 3 da tarde da segunda-feira de 19 de janeiro, mas pode ser que tenha tomado amarga consciência de que seu caso estava morto antes de começar e que não tinha possibilidade alguma de êxito.
Seja como for, Nisman (ou “alguém”) convenientemente ou “suicídio” em algum momento durante a madrugada do domingo 18 de janeiro. A apresentação de Nisman e o consequente interrogatório, perguntas e dúvidas que tivesse disparado, seguramente teriam o efeito de voltar toda a investigação do atentado à AMIA/DAIA a zero, e pela segunda vez pois isso é o que já tinha ocorrido em 2003.
Em 2003 se derrubou a falsa “pista síria” que terminou com o juiz Juan Galeano e onde inclusive um ex-presidente da DAIA – Rubén Beraja – terminou sendo processado por ajudar a subornar a um obscuro traficante de automóveis de nome Carlos Telleldin, no montante de U$S 400,000 em troca de acusar a Polícia da Província de Buenos Aires. Se supunha que assim se geraria uma falsa pista que por sua vez conduziria ao inexistente “carro-bomba”, que jamais foi encontrado, salvo por um pedaço de metal do motor “encontrado” por um oficial de inteligência militar israelense que se encontrava “ajudando” entre os escombros do edifício da AMIA justo depois do ataque de 18 de julho de 1994. “Por sorte”, esse pedaço metálico tinha um número e permitiu identificar ao suposto veículo.
Soa um poco como o passaporte intacto do terrorista Mohamed Atta encontrado entre os escombros das Torres Gêmeas em 2001, não? Ou, talvez como a “afortunada descoberta” do documento de identidade que caiu de um dos terroristas encapuzados no evento Charlie Hebdo em Paris há um par de semanas.
Se o caso insustentável ponderado contra o Irã por Nisman e seus controladores externos e internos ficava desmascarado, então se estaria revolvendo perigosamente o vespeiro. Algo muito perigoso para os EUA, Israel e os lobbies sionistas locais e internacionais que vêm lutando para culpar o Irã por este atentado.
Se correria o perigo de que se investigasse uma pista muito mais plausível: a que conduz diretamente à Israel.

A pista israelense


A princípios dos anos noventa, se desatou uma surda guerra interna dentro do sionismo entre setores de esquerda e a cada vez mais poderosa ala direita fundamentalista e racista. Os dois pontos chave dessa guerra interna giravam em torno a se deveriam outorgar aos palestinos um Estado soberano, e o que fazer com os assentamentos ilegais de colonos israelenses.
Quando explodiu o edifício da AMIA/DAIA, Israel era governado pelo partido laborista do primeiro ministro Isaac Rabin, que nesses momentos procurava chegar a uma solução duradoura com os palestinos. Em julho de 1994, Rabin chegou a permitir que o chefe da OLP Yasser Arafat voltasse à Palestina após o longo exílio; apenas 18 dias antes da explosão na AMIA/DAIA.
Naqueles dias houveram outros episódios de violência que apontavam a essa guerra interna que finalmente chegou a seu ponto culminante 18 meses depois do ataque à AMIA/DAIA quando em novembro de 1995 o primeiro ministro Rabin foi assassinado durante uma reunião pública em Israel.
Quem foi o assassino? Algum terrorista muçulmano? Não. Algum louco neo-nazi? Também não.
O primeiro ministro Rabin foi assassinado por um tal Ygal Amir, jovem militante sionista da ultra-direita, ligado ao serviço de inteligência Shin Beth (recentemente reestruturado por Rabin) e ao movimento dos colonos ilegais dentro de Israel.
O resultado político para Israel deste assassinato foi que aqueles que genuinamente buscavam a paz jamais voltassem ao poder nesse país, que desde então ficou governado pela ultra-direita de Netanyahu, Ariel Sharon, Olmert, Barak, Lieberman, Livni, Feiglin e outros. Assim, os palestinos jamais receberam seu Estado soberano. De Israel só seguem recebendo bombas, ataques, humilhações e o simpático muro de 8 metros de altura por 800 quilômetros de comprimento, erguido por Tel-Aviv como “Muro de Auschwitz” em torno a seu martirizado país.
Dentro deste marco global, a “lógica” por trás do atentado à AMIA/DAIA cobra uma nova dimensão: a de uma guerra interna em que a máfia sionista ultra-direitista lhe fez ao sionismo de esquerda, moderado e mais pacifista, “um oferecimento ao que não pudessem recusar”. Provávelmente, projetado por grupos clandestinos dentro, ou inclusive por cima, do Mossad+CIA+MI6+alguma entidade clandestina de “operações negras”.
Como o grande padrinho Don Corleone, estes obscuros operadores provávelmente ordenaram aos perpetradores do atentado, que “façam que pareça que foi feito algum carro-bomba patrocinado pelo Hezbollah”. O problema é que as coisas não sairam exatamente como eles pensavam.
Parece que o inquieto e nervoso Nisman estava se aproximando muito ao vespeiro.
Talvez essa fosse a razão para “suicidá-lo”. Como foi também o comissionado de polícia francês que investigava o evento Charlie Hebdo, “suicidado” na mesma noite do ataque; ou como o eletricista do Metrô de Londres, Jean Charles de Menezes, quem provávelmente “viu algo” inconveniente nos dias prévios aos ataques de Londres de julho de 2005 e terminou morto à bala “por erro” da polícia de londrina poucos dias depois daqueles ataques.
Seja como for, a “guerra contra o terrorismo” voltou à Argentina… outra vez.
No momento de redigir este artigo, os lobbies locais DAIA e AMIA estão armando grande batalha mediática, rasgándo-se as vestes e dizendo que “temem que possa estar para acontecer um terceiro atentado contra interesses judaicos na Argentina”.
Os meios de imprensa alinhados os ajudam destacando o “desaparecimento inexplicável há umas semanas de um míssil anti-tanque do Exército Argentino”. Começo do projeto de um novo “ataque”?
Parece que os sionistas e neo-conservadores querem sangue. O think-tank estadunidense Center for Security Policy acaba de publicar um artigo no conservador Washington Times pedindo que Estados Unidos e a União Européia imponham “sanções contra a Argentina” após a morte de Nisman.
Neste ano de 2015 em que haverá eleições presidenciais na Argentina, práticamente todos os candidatos favoritos como Sergio Massa, Mauricio Macri, Daniel Scioli e outros sustentam a linha “políticamente correta”, fato que resulta muito consistente com suas reiteradas visitas e reportes à novayorquina Americas Society dos Rockefeller-Negroponte-William Rhodes e, é claro, às permanentes homenagens que rendem perante o Congresso Mundial Judeu, Comitê Judeu Estadunidense, a DAIA, a AMIA e outros lobbies sionistas.
Por último, para a presidente Cristina Kirchner ficam duas importantes lições a aprender:
(1) Quando sionistas e neo-conservadores brigam entre sí, nunca se deve ficar no fogo cruzado; e se escolher a um dos bandos jamais passe ao outro na metade do rio;
(2) Roma não paga a traidores.
Adrian Salbuchi - Publicado no site do Projeto Segunda República
Adrian Salbuchi
Adrian Salbuchi é analista político, autor, condutor do programa de televisão “Segunda República” pelo Canal TLV1 da Argentina. Fundador do Projeto Segunda República (PSR).http://www.proyectosegundarepublica.com/

segunda-feira, 24 de junho de 2013

O GOLPE ANUNCIADO NO BRASIL

O grito genérico contra a corrupção ecoa a tentativa de golpe contra o governo Lula em 2005, ensaiado pelos mesmos agentes de hoje. Naquela época o esforço era maior. A TV tinha de convencer a massa a ir para a rua. Em 2013 ela já estava caminhando, era só entregar as bandeiras.


É o que estão fazendo com todo empenho. A exaltação ao povo que “acordou” foi só o começo. O JN, na sexta-feira (14), censurou uma entrevista dada no Rio por uma integrante do Movimento do Passe Livre, Mayara Vivian.



Enquanto ela falava dos ônibus, tudo bem. Mas a parte em que ela defendia a reforma agrária, a reforma política e o fim do latifúndio no Brasil foi cortada pela censura global. Esses temas não fazem parte das bandeiras da família Marinho.

Colunistas| 22/06/2013 | Copyleft 
DEBATE ABERTO

A TV organiza a massa

A mudança da grade de programação, 

com a troca da novela pelas manifestações “ao vivo”,

 na última quinta (20), é ainda mais emblemática. 

Sinalizou para o telespectador que algo de muito grave estava 

ocorrendo e ele deveria ficar “ligado na Globo” para

 “entender” a situação.

  •   
*) Artigo publicado originalmente na Rede Brasil Atual.




"Este não foi um movimento partidário. 
Dele participaram os setores conscientes da
 vida política brasileira". 
(Editorial de O Globo, 2/4/1964)

A TV, chamada de “Príncipe Eletrônico” pelo sociólogo
 Octavio Ianni, está conduzindo as massa pelas
 ruas brasileiras.
 À internet coube o papel de convocar, à TV de conduzir.
Ao perceber que o movimento não tinha direção e
 poderia assumir bandeiras progressistas,
 as emissoras de TV, com a Globo à frente,
 passaram a conduzi-lo.
Nos primeiros dias, para as TVs,
 eram vândalos que estavam nas ruas e 
precisavam ser reprimidos. 
Reproduziam em linguagem popular o que pediam os
 editoriais da mídia impressa.
Não esperavam, no entanto, que o movimento 
ganhasse as proporções que ganhou.
 Longos anos de neoliberalismo 
exaltando o consumo e o individualismo
 tiraram de algumas gerações o prazer de fazer 
política voltada para a solidariedade e a 
transformação social.
Os partidos que poderiam ser eficientes
 canais de participação passaram a se
 preocupar mais com o jogo do poder do que 
com debate e o esclarecimento político, 
tão necessário na formação dos jovens.
Tudo isso estava engasgado. 
O Movimento do Passe Livre serviu de destape.
 Reprimido com violência como queria a mídia, 
ele cresceu. 
Milhões foram às ruas em repúdio ao vandalismo policial
 daquela quinta-feira (13).
As bandeiras, ao se multiplicarem, diluíram. 
A história registra o surgimento, 
nesses momentos, de líderes carismáticos ou de
militares bem armados para levar as massas à
trágicas aventuras. 
Alemanha nos anos 1930
 e o Brasil em 1964 
são apenas dois exemplos.
Em 2013, quem assumiu esse papel foi a TV. 
Percebendo a grandeza física do movimento, 
mudou o discurso e passou 
a exaltar a “beleza” das manifestações.
 Ofereceu para elas as suas bandeiras
 voltadas para assediar
 o poder central.
O grito genérico contra a corrupção ecoa
 a tentativa de golpe contra o governo Lula em 2005, 
ensaiado pelos mesmos agentes de hoje.
 Naquela época o esforço era maior.
 A TV tinha de convencer a massa a ir para a rua. 
Em 2013 ela já estava caminhando,
 era só entregar as bandeiras.
É o que estão fazendo com todo empenho.
 A exaltação ao povo que “acordou” foi só o começo. 
O JN, na sexta-feira (14), censurou 
uma entrevista dada no Rio
 por uma integrante do
 Movimento do Passe Livre, Mayara Vivian.
Enquanto ela falava dos ônibus,
 tudo bem. 
Mas a parte em que ela defendia
 a reforma agrária, a reforma política e o fim do
 latifúndio no Brasil 
foi cortada
 pela censura global.
 Esses temas não fazem parte das
 bandeiras da
 família Marinho.
A mudança da grade de programação,
 com a troca da novela pelas manifestações “ao vivo”,
 na última quinta (20),
 é ainda mais emblemática.
 Sinalizou para o telespectador
 que algo de muito grave estava 
ocorrendo e ele deveria ficar “ligado na Globo”
 para “entender” 
a situação.
Tanto entenderam que às 20h30 centenas,
 se não milhares de pessoas, 
continuavam a sair das
 estações do Metrô na Avenida Paulista.
 Iam se juntar aos “apolíticos”
 que hostilizavam os militantes partidários
 insuflados por “pitbulls” (jovens parrudos) 
estrategicamente postados ao longo da avenida. 
Pela minha cabeça 
passaram imagens das brigadas nazistas
 vistas no cinema.
Os cartazes tinham de tudo.
 Alguém disse que era um “facebook” real.
 Cada um “postava” na cartolina a sua reivindicação. 
E a TV até disso se aproveitou.
Na sexta pela manhã, 
Ana Maria Braga ensinava
 como as mães deveriam orientar seus filhos 
na confecção desses cartazes.
 Como o Movimento pelo Passe Livre
já disse que não iria mais
 convocar novas manifestações, 
parece que a Globo assumiu
 o comando. 
Quando será o próximo ato?
 Saiba na Globo.
Fustigado nas ruas e nas telas, 
o governo para responder,
 tem de se valer da mesma TV que o ataca.
Julgou, como julgaram outros governos,
 que isso seria possível
 e por isso não constituiu canais alternativos de rádio e TV 
capazes de equilibrar 
a disputa informativa
 (a presidente Cristina Kirchner não entrou nessa).
Sem falar na regulamentação dos
 meios eletrônicos cujo projeto formulado
 ao final do governo Lula está engavetado.
 Se houvesse sido enviado ao Congresso e
 aprovado, 
outras vozes estariam no ar. 
Teríamos mais chance de evitar o golpe anunciado.

Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, 
é professor de Jornalismo da ECA-USP. 
É autor, entre outros, de “A TV sob controle
 – A resposta da sociedade ao poder da televisão” 
(Summus Editorial).
 Twitter: @lalolealfilho.

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