Antes de tudo, um forte abraço, em amor à História e à Verdade...

quarta-feira, 17 de maio de 2017

BRASIL - A CASA CAIU PARA OS GOLPISTAS

segunda-feira, 1 de maio de 2017

BELCHIOR - UMA MUDANÇA EM BREVE VAI ACONTECER

Você não sente, não vê...
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer...






Já dizia Belchior nos versos da canção Velha Roupa Colorida:
Você não sente, não vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
O que há algum tempo era  jovem, novo
Hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer
Belchior, assim como outros cantores souberam muito bem mostrar através dos versos de suas canções aquilo que há tempos os filósofos gregos já nos diziam: tudo está em movimento, tudo está em curso de mudança.
Por mais que queiramos nos prender a nossos portos seguros, nossas zonas de conforto, uma hora, cedo ou tarde a mudança bate a nossa porta, surge em nosso caminho, nos manda um telegrama, ou e-mail. Enfim, a mudança vem.
Peço ajuda novamente ao grande Belchior, ainda nesta mesma canção ele nos diz:
No presente a mente, o corpo é diferente
E o passado é uma roupa que não nos serve mais
A metáfora que o compositor usou nestes versos, creio eu, se refere aos pensamentos, às ideias. Sim, pensamentos e ideias velhas, são mesmo como roupas que não nos servem mais. Já dizia o cabeludo há cerca de dois mil anos que é preciso o homem velho morrer para o homem novo nascer (acho que é assim. Não sou um expert em Bíblia!).
Mas não é fácil livrar-se dessas roupas que não nos servem mais. As velhas roupas coloridas muito deram sentido à nossa existência. Mas pode chegar um momento que elas já não cabem em nós, que é preciso mesmo mudar. E mudar, muitas vezes, dói muito. A metáfora empregada por JC, é bastante contundente quando fala em morte. Mas se observarmos bem, livrar-se das velhas roupas coloridas se assemelha mesmo a matar alguém. Afinal de contas, estas ideias é que de certa maneira diziam quem somos ou éramos. Mudar um padrão de pensamento é realmente matar alguém.
Para finalizar recorro mais uma vez aos versos da canção do ilustre cearense:
O que há algum tempo era novo, jovem
Hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer
Se tudo está em constante mudança, se a impermanência é a regra, se tudo está mesmo em movimento, então mais uma vez Belchior foi brilhante! Muito do que ontem achávamos de vanguarda, moderno, uo to date, já não é mais. Acredito que reconhecer que precisamos rejuvenescer é fundamental para não pararmos no tempo. Muita gente, por conta de um imenso apego as velhas roupas coloridas da mente não percebe essa passagem do tempo, ou que seu presente é muito diferente do que fora seu passado. E assim, muitos sofrem por conta disso.
Finalizo este texto no qual fui ajudado por Belchior e os versos de uma de suas mais belas canções, recorrendo a outra canção, desta vez recorro a um roqueiro da velha guarda do rock nacional. Estes versos do Lulu Santos complementam o que já disse Belchior:
Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará
Fonte: parcial de alemdosoutdoors.org

O REVOLUCIONÁRIO BELCHIOR

Ele é “apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior”, mas soube compreender e cantar, como poucos, a nossa solidão, o nosso som, a nossa fúria e a nossa “pressa de viver”.
Viva, #Belchior!


ALUCINAÇÃO, DE BELCHIOR, É O MAIS REVOLUCIONÁRIO ÁLBUM DA HISTÓRIA DA MPB



Mas eu não estou interessado em nenhuma teoria, em nenhuma fantasia, nem no algo mais. Longe o profeta do terror, que a laranja mecânica anuncia... Amar e mudar as coisas, me interessa mais; álbum Alucinação foi o mais revolucionário da história da MPB; relembre
30 DE ABRIL DE 2017 ÀS 13:16 // 247 NO TELEGRAM Telegram // 247 NO YOUTUBE Youtube
247 reproduz texto do cantor e compositor Khalil Gibran, publicado no próprio 247, quando Alucinação, um clássico da MPB, completou 39 anos.
Por Khalil Gibran, especial para o 247
Era agosto de 1971 quando a canção “Na Hora do Almoço” venceria o IV Festival Universitário de Música Brasileira, promovido pela TV Tupi do Rio de Janeiro. A música seria a primeira de muitas do cantor e compositor cearense Belchior, que ficariam conhecidas por gerações e gerações de brasileiros.
Nascido na cidade de Sobral, Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, ou simplesmente Belchior, teve uma infância simples, de menino do interior, como ele próprio gosta de descrever, porém, a Sobral da sua meninice era uma cidade repleta de sons, cores e poesia, que iluminariam seu imaginário por toda a sua trajetória. Alguns deles, dentro da sua própria família, como de seu pai, que tocava sax e flauta, e de sua mãe que, cantava no coro da igreja local.
Belchior conta que havia na cidade uma rádio que se espalhava por todos os cantos, através das então conhecidas radiadoras (alto-falantes cônicos que lembram um megafone e eram usados para propagar o som pela cidade). Além disso, Bel, como gosto de me referir ao poeta, adorava admirar as pinturas das igrejas (Sobral tem muitas) e correr atrás das bandas de música, tradicionais grupos musicais do Nordeste, compostos por sopros e percussão, que ainda resistem ao tempo nas cidades do interior.
Mudando-se para Fortaleza a fim de continuar seus estudos, o artista acabou por ingressar no Liceu do Ceará, de onde sairia para um Mosteiro, em Guaramiranga – CE, e de lá para a faculdade de Medicina, em Fortaleza. Somente por essa época, Belchior teria contato com o movimento artístico que efervescia na cidade e de onde sairiam nomes como Fausto Nilo, Fagner, Ednardo, Rodger, Cirino e outros tantos. E foi ali, com aquele grupo de novos amigos, que ele viu pela primeira vez a possibilidade de compartilhar sua arte com outros colegas.
Em meio à criativa boemia fortalezense do início dos anos 70, o jovem cantor resolveu largar a faculdade de Medicina e encarar a “vida de artista”, mudando-se para o Rio de Janeiro em 1971. Quando venceu o supracitado Festival Universitário, teve compactos lançados em 1971 e 1973, e em 1972, sua canção “Mucuripe”, em parceria com Fagner, foi lançada por Elis num compacto. Seu primeiro Long PlayMote e Glosa, no entanto, só seria lançado em 1974.
Apesar das conquistas, o nome de Belchior só ganharia grande notoriedade com o lançamento de Falso Brilhante, em 1976, disco antológico de Elis Regina em que ela interpretava, de forma visceral, “Velha Roupa Colorida” e “Como Nossos Pais”. Esse foi o LP mais importante da carreira de Elis, um registro em estúdio de parte do repertório do seu espetáculo musical de maior repercussão.
Com o sucesso das composições de Belchior na voz de Elis Regina, a Polygran lançaria, em agosto de 1976, o disco que viria a ser um dos mais importantes de todos os tempos para a música brasileira, e após 39 anos, Alucinação, de Belchior, ainda ecoa várias canções por rádios, TVs, shows e regravações em todas as partes do Brasil. Canções como “A Palo Seco”, “Apenas Um Rapaz Latino Americano”, “Como Nossos Pais”, “Fotografia 3x4”, “Alucinação” e todo o restante do disco, se tornariam verdadeiros hinos, entoados nos shows de Belchior por toda sua carreira.
Sem sombra de dúvidas, Belchior é um dos maiores compositores de todos os tempos da nossa música popular, as sutilezas poéticas de sua obra são encantadoras, emocionam e gozam de uma liberdade que, por vezes, podem ser comparadas às genialidades de Fernando Pessoa e Bob Dylan. Se Bel queria mesmo que seus versos, feito faca, cortassem a nossa carne, ele conseguiu. Porque a juventude do nosso coração é perversa e nos faz sofrer, perceber que “ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”. Nesse mundo, é difícil não querer o a cabeça pensa, querer o que a alma deseja, e enxergar que “a vida inteira está naquela estrada, ali em frente”.
Resta-nos saber quais versos Belchior ainda guarda para nós “sob as dobras do blusão”. Que discos tem ouvido? Com que pessoas tem conversado?
Ele é “apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior”, mas soube compreender e cantar, como poucos, a nossa solidão, o nosso som, a nossa fúria e a nossa “pressa de viver”.
Viva, Belchior!
Para quem quiser conhecer um pouco mais da história do artista, segue a entrevista realizada com Belchior pela série Nomes do Nordeste.
 HYPERLINK "https://www.youtube.com/watch?v=LQnlczSXUAQ" https://www.youtube.com/watch?v=LQnlczSXUAQ
Escute a canção Alucinação, na versão dos Engenheiros do Hawai:

Escute Alucinação completo:



BELCHIOR - ERA UMA VEZ UM HOMEM E SEU TEMPO